Coluna do Adonai

Outra tentativa de escrever sobre qualquer coisa (ir)relevante

Mensagem trocada

Mandei uma mensagem pelo Facebook e, de tão longa, resolvi postá-la aqui.

"Eu estava online, sim, mas muito entretido com umas tarefas pra adiantar a semana.
'Assim como tudo, natural e tristemente' é sobre as mudanças da vida em geral? Alguma queixa?
Olhando daqui, acho sua vida natural e alegremente bacana.
Olhando daqui, acho que a minha vida é natural e tristemente diferente em alguns aspectos, mas sou pai e isso é uma mudança muito boa que aconteceu nela.
Olhando daqui, as tristezas posso pô-las todas na minha própria conta, por não ser bom em lidar com os (poucos) reveses e por não ser bom em cativar as pessoas.
No mais, sou um cara de muita sorte.
Espero que a vida me trate bem até o fim, ou seja, permitindo que todos os queridos e amigos vivam bem o máximo possível e morram na ordem certa, serenamente.
Se possível, que a corrupção e ganância, partout, diminuam visivelmente durante o tempo que ainda tenho.
Perdoe-me a longa mensagem em tom de confissão.
Vou transformá-la num post pros dois leitores do meu blog."
E foi isso.
Viram, vocês dois?

Adonai

Feelings...

Não sou o Morris Albert, mas tenho meus rompantes de escrever coisas sentimentais.

Outro dia mandei um email que tinha o seguinte: "Há muitos motivos para ganhar mais dinheiro, mas a felicidade é maior que todos eles. E a felicidade acontece todo dia... e, quando seu filho lhe diz ao ouvido que '40 avião é o infinito', você entende perfeitamente bem que é preciso estar por perto dele para ser feliz"

Não sou original (a parte da felicidade é maior que todos eles eu adaptei de 'Todos estão surdos' de Roberto e Erasmo) e só sei que, na correria do dia a dia e na falta de um sentido maior na nossa vida curta e maluca (mesmo as mais tediosas e corriqueiras), de vez em quando é preciso deixar tudo de lado e açucarar o papel pra que as palavras, perdidas na internet ou apenas ditas em voz alta pra se perderem no espaço, ganhem vida e nos façam um pouquinho mais longevos.

Afinal, pelas minhas palavras iniciais dá pra perceber que é essencial procurar tirar o máximo de felicidade de cada dia.

Adonai
Skype: adonaiteles 


Pai e filho cruzando minha vida

Nesta última sexta-feira de julho, morreu o pai de um amigo meu.

Não somos amigos há décadas, não nos conhecemos na infância, não frequentamos a casa um do outro e nos falamos bem pouco ao telefone. Nem por isso, esse amigo é pouco importante na minha vida. Na verdade, ele é fundamental na minha história.

Por influência direta dele eu fiz um mestrado, comecei a dar aulas, me envolvi com o turismo, andei em gabinetes ministeriais (o que não é bom por causa do poder ou status associados, mas pela experiência em si) e acabei professor de uma universidade federal. Para o consultor em sistemas de informações que eu era há menos de dez anos, é uma trajetória de ficção. 

Mas o que eu quero fazer mesmo é registrar nessa coluna - que é inspiração antiga para que meu amigo faça uma boa piada comigo - o agradecimento ao seu pai, que se foi de repente, silenciosamente, pelo belo trabalho que fez ao criar seus filhos. 

Primeiramente, pelo modo como esses filhos se lembram dele e celebram os anos de convivência com um cara companheiro, correto e agregador. Eu, como pai, não posso pensar em melhor desfecho que o de ser bem lembrado e amado pelo meu filho. 

Em segundo lugar, quero agradecê-lo pelo amigo que preparou para mim.

E é isso.

Mais um pai deixa a vida e nela deixa seu filho (o que é um outro sucesso, eu creio, para um pai), que em breve terá o próprio filho para criar e almejar ser bem lembrado e amado por ele, além de prepará-lo para ser um bom amigo de outras pessoas.

Adonai

Posted July 29, 2011

Cinema bancado

Ontem fui assistir um filme de minha própria escolha.

Quem tem filho pequeno sabe como essa atividade trivial, antes do filho, se torna bem menos trivial depois que eles chegam. Não é uma reclamação, pois eu adoro ir assistir as animações com o filhote. Apenas constato.

Bem, quero chegar é no ponto em que, criança e adolescente, fui assistir a inúmeros filmes, uma boa parte deles com meu primo, o Fernando, quando, invariavelmente, passávamos pela estação do bonde para comer um hamburguer na volta pra casa. Até hoje o sabor do ketchup me lembra cinema, Fernando, bonde... mas essa era só uma recordação colateral que eu aproveitei para registrar.

O registro efetivo é do papel do meu pai na minha lista de filmes vistos.

Ele, que poucas, se alguma, vezes foi ao cinema comigo, nunca recusou o necessário suporte financeiro à minha formação cinematográfica. O cara nunca disse não, inclusive pro dinheiro do tal hambúrguer.

A mais curiosa das suas justificativas pra não ir ao cinema era que ele já tinha visto o filme. Não importa se era o último lançamento de Hollywood na época em que não havia a pirataria super veloz que temos hoje. Ele já tinha visto o filme.

Hoje eu entendo o meu pai, não somente a respeito do cinema, e sei que é mesmo normal que já tenhamos visto o filme recém lançado.

Pode-se fazer cinema com quantos Ds se desejar, o fato é que as histórias tem um limite de ineditismo. Um professor meu diz que há uns seis enredos prontos e Shakespeare escreveu todos. É claro que isso não impede que cinema seja sempre muito legal. E, talvez, nem seja verdade, mas é um tema legal pra uma conversinha. Né?

Bem, é isso, um blog bem cheio de coisinhas e com nada de original, que eu não sou melhor que os diretores de cinema.

Adonai
Skype: adonaiteles 


Posted June 19, 2011

Resistência pacífica ou Gandhi no Aterro

Hoje fui ao Aterro com meu filho e lá tem uma pista para skate.

Estávamos lá, eu e o pequeno que gosta de (ver) tudo que é esporte, quando ocorre uma invasão. 

Mais ou menos uma dezena de ciclistas (bikistas?) entraram com tudo na pista ocupada pelos skatistas. Estes eram
uns dois de mais de quarenta, uns seis adolescentes e uns quatro por volta dos oito a dez anos.

Eu fiquei observando aquilo, doido pra meter o bedelho e perguntar pro que parecia ser o líder dos invasores, se eles não tinham se tocado de que haviam invadido, violentamente, e intimidado os skatistas.

Observei.

Um garoto dos mais novos saiu da pista e foi para o lado da mãe. Esta, lendo estava e lendo continuou.

Outros garotos ficaram parados, skates nas mãos, observando e falando baixo, claramente assustados.

Um grupo de uns quatro ficou atrás de uma estrutura que tornava o espaço inacessível para as bikes.

Os dois mais velhos continuaram andando nos seus skates e começaram, lentamente, a dar um ou outro grito a título de alerta de que estavam chegando a uma rampa ou a alguma das outras estruturas onde fazem suas manobras.

Os ciclistas foram ficando meio sem jeito e começaram a se retrair.

Os garotos que estavam assustados botaram os skates no chão e começaram a andar novamente. O menino ao lado da mãe voltou à pista.

Tenho a impressão que fiz muito bem em observar. Em menos de quinze minutos, tava todo mundo, skatistas e ciclistas, cuidando de suas vidas, esperando a manobra do outro, caindo, levantando...

Como eu não presenciei o movimento de independência da Índia, creio que esta foi a melhor forma de resitência pacífica que eu já assisti. O Mahatma teria gostado, imagino.

Tornou a manhã de domingo ao lado do filhote singularmente especial.

A mãe continuava lendo quando passamos de volta, uns quarenta minutos mais tarde.

Adonai

Posted May 1, 2011

LFV

"Um dos paradoxos do futebol moderno é que quanto mais o conjunto supera o indivíduo, mais ele depende da jogada individual" LFV 

3/7/2010

E se você não conheceu ou nunca mais viu, compre e guarde a edição da antologia definitiva das Cobras.Um excelente livro de cabeceira com figurinhas.
http://www.estantevirtual.com.br/q/luis-fernando-verissimo-as-cobras-antologia-definitiva

Como eu escrevo besteira... e mal

Onde já se viu segurar celular "no" ouvido? Parece com segurar "na" mão?

O motoboy segurava o celular ao ouvido.
Lamentável!
Tudo, claro.

Pequenas coisas todos os dias

Quem tem a vida muito tranquila, como eu, acaba olhando pra tudo que não deveria.

Outro dia, na Ponte Niterói-Rio (agora eu moro no Principado), assisti um motoqueiro, com todas as características de motoboy, atender o telefone enquanto pilotava.
Não! Não era na Rua do Richuelo ou em uma ruazinha de bairro, com pouco movimento. Foi na Ponte, com carros trafegando, no mínimo, à velocidade máxima da via: 80 km/h.
Motoqueiro atendendo telefone no trânsito, pilotando, já é comum. Motorista de carro de passeio, van e ônibus coletivo atendem a qualquer momento. Muita gente com mestrado e doutorado, que eu conheço, conversa longamente ao celular, segurando o celular no ouvido, enquanto dirige.
Pilotar moto sem capacete - padrão - eu acho até certo: o elemento tá protegendo o cotovelo, que deve ser onde se localiza seu cérebro.
Depois da mãe carregando o filho de uns 30 dias - repetindo, 30 dias - na carona do mototáxi, eu pensei que já tinha ficado imune a esse tipo de imbecilidade, mas um motoqueiro atendendo celular pilotando a mais de 80 na Ponte não estava no meu script.
Que desânimo!

Adonai

2010, minha vida e uma música na cabeça

Em 2006, descobri que seria pai e, creio, me fiz pai desde o primeiro momento.

Desde 2006 minha vida saiu do meu pretenso controle (eu sei que ele nunca ocorreu) de uma maneira impensável às vésperas da tormenta.

Tormenta de coisas boas, que são a tônica da minha vida, e algumas coisas não tão boas.

2010 vem sendo o ano de uma série de reflexões sobre essa minha vida.

O término do doutorado, que também começou em 2006, e duas viagens especiais, para BsAs e Paris, são os pontos altos, até agora, da parte egotrip de 2010.

No meio disso tudo, por conta de uma foto que uma dessas pessoas que te acompanham pra vida toda publicou em um rede social, uma música-discurso de formatura me veio à cabeça.

Não vou detalhar os pedaços que me tocam mais especialmente.

Fica pra cada um escolher o seu próprio e, como exercício de advinhação, descobrir aquele que me chamou a atenção em primeiro lugar.

Exercício sem gabarito oficial, claro.

Sunscreen (http://www.youtube.com/watch?v=xfq_A8nXMsQ)

Ladies and Gentlemen of the class of ’99

If I could offer you only one tip for the future, sunscreen would be it.

The long term benefits of sunscreen have been proved by
scientists whereas the rest of my advice has no basis more reliable than my own meandering experience…I will dispense this advice now.

Enjoy the power and beauty of your youth; oh nevermind; you will not understand the power and beauty of your youth until they have faded.
But trust me, in 20 years you’ll look back at photos of yourself and recall in a way you can’t grasp now how much possibility lay before
you and how fabulous you really looked….You’re not as fat as you imagine.

Don’t worry about the future; or worry, but know that worrying is as effective as trying to solve an algebra equation by chewing bubblegum. The real troubles in your life are apt to be things that  never crossed your worried mind; the kind that blindside you at 4pm on some idle Tuesday.

Do one thing everyday that scares you Sing Don’t be reckless with other people’s hearts, don’t put up with people who are reckless with yours. Floss Don’t waste your time on jealousy; sometimes you’re ahead, sometimes you’re behind…the race is long, and in the end, it’s only with yourself.

Remember the compliments you receive, forget the insults; if you succeed in doing this, tell me how. Keep your old love letters, throw away your old bank statements. Stretch Don’t feel guilty if you don’t know what you want to do with your life…the most interesting people I know didn’t know at 22 what they wanted to do with their lives, some of the most interesting 40 year olds I know still don’t.

Get plenty of calcium. Be kind to your knees, you’ll miss them when they’re gone. Maybe you’ll marry, maybe you won’t, maybe you’ll have children,maybe you won’t, maybe you’ll divorce at 40, maybe you’ll dance the funky chicken on your 75th wedding anniversary…what ever you do, don’t congratulate yourself too much or berate yourself either – your choices are half chance, so are everybody else’s.

Enjoy your body, use it every way you can…don’t be afraid of it, or what other people think of it, it’s the greatest instrument you’ll ever
own.. Dance…even if you have nowhere to do it but in your own living room.

Read the directions, even if you don’t follow them.

Do NOT read beauty magazines, they will only make you feel ugly.

Get to know your parents, you never know when they’ll be gone for good.

Be nice to your siblings; they are the best link to your past and the people most likely to stick with you in the future.

Understand that friends come and go,but for the precious few you should hold on. Work hard to bridge the gaps in geography and lifestyle because the older you get, the more you need the people you knew when you were young.

Live in New York City once, but leave before it makes you hard; live in Northern California once, but leave before it makes you soft.

Travel.

Accept certain inalienable truths, prices will rise, politicians will philander, you too will get old, and when you do you’ll fantasize that when you were young prices were reasonable, politicians were noble and children respected their elders.

Respect your elders.

Don’t expect anyone else to support you. Maybe you have a trust fund, maybe you have a wealthy spouse; but you never know when either one
might run out.

Don’t mess too much with your hair, or by the time you're 40, it will look 85.

Be careful whose advice you buy, but, be patient with those who supply it. Advice is a form of nostalgia, dispensing it is a way of fishing the past from the disposal, wiping it off, painting over the ugly parts and recycling it for more than it’s worth.

But trust me on the sunscreen…

Eu acrescento, pra satisfazer meu ego professoral, faça pilates com um bom fisioterapeuta, o melhor modo de cuidar do corpo que eu já experimentei :)

Adonai Teles
Skype: adonaiteles
MSN: adonaiteles@hotmail.com
Niterói - Rio de Janeiro - Brasil

Ideologia, eu quero uma pra viver

Plínio de Arruda Sampaio tem 80 anos e fala sobre o futuro e sobre falar da realidade como ela é.

Vamos seguir as recomendações do Plínio: falemos, todos, para o futuro que queremos e "não para o presente horrível que nós temos e nem para o passado".
Parece autoajuda e, se for, é do que precisamos.


Adonai Teles